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Análise dos prós e contras que advêm do uso de AT

Benefícios e riscos nas actividades agrícolas

A Engenharia Genética dos tempos modernos aplicada à agricultura, envolve processos morosos e complicados para conseguir o que o homem sempre pretendeu executar desde os tempos mais remotos, isto é, conseguir melhorar significativamente a produção de alimentos.

As vantagens associadas ao melhoramento das espécies agrícolas, como maior resistência a doenças, aumento da produção, não são postas em causa e sempre foram utilizadas pelo homem sem levantar mais problemas do que as resultantes da existência de variedades melhoradas conduzirem à redução da diversidade genética, bem como o combate a pragas e doenças por introdução de resistência levar ao aparecimento de pragas ou agentes patogénicos resistentes às adversidades

Na criação e produção de um elemento transgénico, existe a transferência de ADN (genes) de organismos para organismos, de espécies para espécies, com a inserção nos cromossomas, introduzindo assim novas características que irão trazer benefícios para a espécie que está a ser modificada.

Neste processo complexo, existe mais do que um doador, uma vez que são necessárias sequências de ADN de bactérias ou semelhantes para facilitar a transferência de material genético (como vectores), para regular a sua expressão (genes promotores) e demonstrar o sucesso da modificação genética (marcadores).

A Engenharia Genética consegue de forma relativamente rápida, ao fim de poucos anos, o que um método tradicional atingiria ao fim de muitos anos de trabalho árduo no campo. Através de processos naturais consegue-se ir buscar uma característica natural, rara, ao serviço de uma bactéria ou de um vírus, e introduzi-la em grande escala. Exemplo prácticos: transferência de material genético de Bacillus thuringiensis para o milho, para o algodão, para a batata, passando estas culturas a produzir proteínas letais para determinadas estirpes de insectos.

Os benefícios esperados, como o aumento de produção, redução de custos financeiros e ambientais, são exactamente os mesmos da genética clássica, com a diferença na escala, na rapidez e na especificidade das características introduzidas e não são contestáveis.

A razão da polémica reside na eficácia do melhoramento e nos riscos ambientais.

As vantagens para os agricultores que daí advêm seriam:

- Uso de plantas geneticamente modificadas com resistência a determinados herbicidas diminui os custos e os riscos.

- Plantas geneticamente melhoradas com resistência incorporada a viroses diminui os custos de produção, eliminando a necessidade de tratamento dos vectores dos vírus.

- Uso de insecticidas biológicos, tais como o piretro e a nicotina pelo seu menor custo em relação aos pesticidas sintetizados artificialmente.

- Plantas geneticamente melhoradas com insecticida incorporado diminuiria os custos e os riscos de utilização de pesticidas sintetizados artificialmente, como é o caso do milho, algodão e batata.

Principais desvantagens para os agricultores:

- Os produtos agrícolas "não transgénicos" possuem um valor de mercado mais elevado e de mais fácil comercialização, pois várias empresas europeias já anunciaram a eliminação dos transgénicos da gama dos seus produtos.

- A produção e comercialização de transgénicos só é possível em grandes empresas internacionais, o que implica o entendimento entre os agricultores e a empresa, com as respectivas consequências, como por exemplo, só usar produtos da respectiva firma.

- As produtividades obtidas nem sempre são o que se espera, sendo muitas vezes inferiores às anteriormente usadas (talvez devido à não adaptação das variedades às condições locais). De facto, para ensaiar as diversas espécies de OGM num determinado sítio terão que ser efectuados ensaios de campo, isto é, ensaios no país e na situação ecológica actualmente existente, o que implica custos para a empresa.

- Portugal não é competitivo face aos recursos base, solos e clima para a produção de culturas de árvores e frutos, em termos quantitativos, para além de problemas a nível estrutural e tecnológico. No entanto, a produção de produtos de alta qualidade como os vinhos, produções animais certificadas, os queijos e a fruta de alta qualidade, demonstram a nossa competitividade para uma agricultura de boa qualidade, sendo resultante de sistemas com bom rendimento. Não se deve pôr em risco a qualidade das nossas produções, exterminando esta vantagem competitiva face à Europa. Por vezes é melhor manter-nos fiéis ao método tradicional sem descurar as novas tecnologias.

Desvantagens a longo prazo para os agricultores por causas ambientais:

- Quando se introduz insecticida na própria cultura, este insecticida passará a ser introduzido na fauna e flora. O maior risco, que é inevitável, corresponde ao desenvolvimento de resistência nas pragas, existente ou não na natureza. O uso continuado de OGM levará ao desenvolvimento das estirpes resistentes. O uso de culturas Bacillus thuringiensis generalizadas levará ao aparecimento muito rápido de resistências.

- O cruzamento de espécies transformadas com espécies selvagens ou outras é reconhecido, o que leva à introdução não desejada de genes noutros espaços.

- O uso generalizado de produtos Bacillus thuringiensis fará possivelmente reduzir a diversidade biológica pois todos os seres que possam ser afectados pelo insecticida Bt serão afectados pelas enormes áreas de produtos Bt.

- Conhece-se relativamente pouco para poder inferir os resultados a longo prazo da transferência de genes introduzidos para outras culturas, em especial o efeito na diversidade biológica do solo, e os efeitos sobre a fertilidade e a necessidade de aumentar e diversificar o uso de pesticidas no futuro pela redução dos predadores naturais.

- A redução do uso de pesticidas sintetizados artificialmente, razão da aplicação dos OGM, nem sempre se verifica e, no caso dos herbicidas, diminui a diversidade de produto. As organizações agrícolas portuguesas manifestam preocupações em relação às fusões de empresas, nas áreas das sementes, daí resultando o domínio do mercado por parte de empresas internacionais. Os agricultores exigem igualdade nas condições económicas para o mercado de transgénicos e das sementes tradicionais.

Riscos económicos para os agricultores são:

- Dependência das grandes companhias, dependência da adaptação das variedades às condições existentes em Portugal, bem como a garantia de que as novas variedades correspondem às nossas condições de produção. Não existe a garantia de adaptação, da eficiência destes novos organismos, para as nossas condições ecológicas e tecnológicas. Continua a existir uma forte dependência cada vez maior, das companhias produtoras dos OGM.

- Não existem garantias quanto aos preços e à colocação das produções obtidas, em resultado das reservas da opinião pública europeia, que cada vez mais contesta o uso dos OGM e exige informação clara e precisa.

- Não existe informação suficiente sobre o efeito da utilização generalizada dos OGM na fertilidade do solo, no comportamento das pragas e doenças, das infestantes, portanto sobre a sustentabilidade do seu uso.

- Os efeitos ambientais terão repercussões directas na sustentabilidade da produção agrária, para além dos efeitos ambientais directos.

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