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As plantas, os animais e os microrganismos são constituídos por células, compostas por diferentes tipos de moléculas entre os quais se incluem as proteínas e os ácidos nucleicos. O DNA é um ácido nucleico formado por longas cadeias, em que quatro unidades básicas (A, T, G e C) se sucedem. Um gene é um segmento de DNA que funciona como um “texto” que contém as “instruções” para a síntese de uma dos muitos milhares de proteínas (cadeias de aminoácidos) que dominam a estrutura e o funcionamento celulares determinando, em última análise, as características dos próprios animais (por exº a cor dos olhos), plantas (por exº o seu porte) ou microrganismos (por exº a morfologia das colónias). Diferentes sequências das unidades básicas que o formam (“textos”) correspondem a diferentes genes que se traduzem em diferentes proteínas. Ao conjunto de todo o material genético chama-se genoma.
A Biotecnologia consiste num conjunto de aplicações tecnológicas que utilizam sistemas

biológicos, sejam eles plantas, animais, microrganismos, ou os seus derivados, para fabricar ou modificar produtos para um fim específico. Por vezes, a informação genética dos organismos utilizados é previamente manipulada, recorrendo a um conjunto de técnicas de Engenharia Genética que visam modificar os genes existentes, ou adicionar
genes provenientes de um outro organismo. Estes organismos sujeitos à manipulação genética são designados organismos geneticamente modificados (OGM) e podem eles próprios constituir um alimento, ou ser utilizados para produzir aditivos (por exº vitaminas), ou auxiliares tecnológicos (por exº uma enzima). Os alimentos obtidos por estas vias denominam-se alimentos transgénicos.
Os alimentos transgénicos são modificados geneticamente em laboratórios com o objectivo de conseguir melhorar a qualidade do produto. Os genes de plantas e animais são manipulados e muitas vezes combinados.
Na sequência desta investigação, contactámos o Prof. Dr. Rui Malhó da Faculdade de Ciências, de modo a nos facilitar o trabalho. Fica um excerto: " João Tiago: Podia-nos definir o conceito de Alimentos Transgénicos?
Rui Malhó: Não é bem o conceito , é definir o que se entende por Alimento Transgénico. Já agora fazendo a distinção do que é um OGM ( organismo geneticamente modificado ). Por transgénico entende-se quando eu tenho a introdução de um gene que é estranho a essa espécie nesse organismo, isto é, por exemplo, se eu tiver, o caso do milho, e que eu introduzo um gene de uma resistência a um antibiótico q eu tirei, por exemplo duma bactéria , isso é um organismo transgénico. Se eu tiver um OGM, eu posso fazer essa modificação com um gene dessa própria espécie mas doutra variedade. O caso agora que está a ser feito, é o do castanheiro, que a produção de cultivar do castanheiro que nunca foi tido em consideração no seu aspecto molecular era feito só numa base de produtividade, ou seja, este produz mais , vamos seleccionar este, e á medida q estas selecções se vão fazendo, por que isto é por cruzamento, há perca de material genético, nomeadamente resistência a doenças. Se eu pegar num castanheiro selvagem que ainda tenha esse gene, e o introduzir, isso na realidade não é um organismo transgénico, é um OGM, é uma diferença subtil mas pode ser importante porque do ponto de vista de alimentação e do consumo há diferenças significativas. Uma coisa é eu introduzir um gene que do ponto de vista evolutivo nunca esteve em contacto com aquele organismo e que por isso pode causar uma resposta que não sabemos qual é, que é diferente de eu voltar a colocar algo que é daquela espécie, já esteve inserido naquele genoma, que se perdeu mas estou a voltar a inserir. Por exemplo isso é importante quando falamos, não em alimentos, mas em pessoas , em termos de terapias génicas. Se um de vocês tiverem uma mutação de uma determinada proteína, que pode ter uma doença, e eu tirar o gene de outro para corrigir a mutação, não e' um organismo transgénico , embora muita gente diga transgénico para tudo ."
JT: Em relação ao enquadramento histórico, sabe-nos dizer quando é que esta história dos organismos transgénicos começou e onde?
RM: Bom, então voltamos a fazer a distinção entre os OGM e os organismos transgénicos. Se falarmos dos OGM isso começou desde que o homem começou a praticar a agricultura, o homem começou a seleccionar alimentos. Em relação aos organismos transgénicos começou, em termos de aplicações, aplicações reais, há cerca de 3 décadas , não tenho presente quando é que foi a primeira aplicação. Não estou a falar dos primeiros estudos em laboratório, estou a falar já das primeiras aplicações ou estudos de campo em que se verifica que um organismo transgénico é estável e sustentável, e' capaz de ser fértil de ter descendência e ser utilizado no futuro. E isso reporta se a inicio dos anos 80 que foi quando se assiste ao grande “boom” dessa tecnologia que coincide com a nossa facilidade de manipulação genética, nomeadamente com o advir do PCR. PCR é uma reacção (Polymerase chaining reaction) é um método de amplificação de DNA e que está na base depois de todo o avanço da Biologia Molecular dos dias de hoje.
As alterações de um gene ou do modo como é regulado podem modificar as características de uma planta ou de um animal e, se herdáveis, da sua descendência. A maior parte da comida que actualmente consumimos foi modificada de alguma maneira. Há séculos que os agricultores seleccionam sementes que permitam obter maiores rendimentos e maior resistência às doenças.
Todas as informações dadas pelo Professor Rui Malhó coincidem com as informações recolhidas e tratadas , pelo que se verifica que o professor é uma pessoa competente e informada.
Muitas das variedades de fruta, vegetais e até animais que hoje se produzem, há cinquenta anos ainda não existiam. É o caso do milho que actualmente se consome em larga escala, que retém muito pouco do seu ancestral mais próximo, uma erva selvagem chamada teosinte que ainda hoje cresce no México, com maçarocas aproximadamente da dimensão dos grãos de milho actuais.
Outros exemplos são as uvas sem grainhas, as laranjas sem caroços ou as galinhas de crescimento rápido, que nunca teriam surgido na natureza sem a intervenção humana. Todas estas intervenções recorrem à chamada Genética Clássica e têm uma boa aceitação por parte do consumidor. A controvérsia surge quando é utilizada a Engenharia Genética com os mesmos fins.
Esta área científica permite identificar os genes individuais responsáveis por determinada característica requerida , e modificá-los ou transferi-los para outro organismo, seja ele da mesma espécie, ou de outra diferente, quebrando neste caso a barreira das espécies existente nos cruzamentos naturais. Torna-se, assim, possível em poucos anos produzir uma nova raça, variedade ou estirpe (consoante se trate de animais, plantas ou microrganismos), que pelos métodos tradicionais demoraria décadas, séculos, ou seria mesmo impossível obter.
A comercialização de transgénicos é polémica. Empresas, produtores e cientistas que defendem a nova tecnologia dizem que ela vai aumentar a produtividade e tornar mais barato o preço do produto, além de permitir a redução dos agrotóxicos utilizados. Os que a atacam, como os ambientalistas e pesquisadores afirmam que o produto é perigoso: ainda não se conhece nem os seus efeitos sobre a saúde humana nem o impacto que pode causar ao meio ambiente.
Dois dos continentes onde mais se cultivam alimentos transgénicos são:
Estados Unidos da América: melão, soja, tomate, algodão, batata e milho
Europa: tomate, soja, algodão
